Gestão e finanças

DRE para restaurante: como montar e o que olhar todo mês

As linhas da DRE gerencial de um restaurante, a diferença entre competência e caixa, a margem de contribuição e o ponto de equilíbrio, com exemplo.

Equipe DomSoft · · 3 min de leitura

O extrato do banco mostra quanto dinheiro entrou e saiu. Ele não mostra se a loja deu lucro. Para isso existe a DRE (demonstração do resultado do exercício): uma conta de cima para baixo que parte do que você vendeu e vai tirando cada custo até chegar ao resultado do mês.

A DRE que o contador entrega segue as regras fiscais. A DRE gerencial, que é a deste artigo, é a sua: feita para decidir preço, cardápio e equipe.

As linhas da DRE

Linha O que entra
Receita bruta Tudo o que foi vendido no mês, em todos os canais (balcão, salão, delivery próprio, marketplaces).
(−) Deduções Impostos sobre a venda, descontos dados, cancelamentos e estornos.
Receita líquida O que de fato ficou da venda.
(−) CMV Ingredientes, embalagens e bebidas do que foi vendido.
(−) Custos variáveis de venda Taxas de cartão e de Pix, comissões de marketplace, entregadores pagos por corrida.
Margem de contribuição O que cada venda deixa para pagar a estrutura.
(−) Despesas fixas Aluguel, salários e encargos, pró-labore, energia, gás, internet, sistemas, contador.
Resultado operacional O lucro (ou prejuízo) da operação no mês.

Competência, não caixa

A regra que mais confunde: a DRE gerencial é feita por competência, isto é, pelo mês a que o fato pertence, e não pelo dia em que o dinheiro entrou ou saiu.

  • A venda no cartão de crédito de 28 de outubro é receita de outubro, mesmo que caia na conta em novembro.
  • O aluguel de outubro é despesa de outubro, mesmo que você pague no dia 5 de novembro.
  • A compra grande de farinha que vai durar três meses não é CMV de um mês só: o CMV é o que saiu para as vendas.

Por caixa, um mês com uma compra grande parece prejuízo e o seguinte parece lucro, sem que nada tenha mudado.

Margem de contribuição e ponto de equilíbrio

A margem de contribuição é o número que liga preço e estrutura. Imagine um mês assim:

Valor
Receita líquida R$ 80.000
CMV R$ 26.000
Taxas, comissões e entregas R$ 9.600
Margem de contribuição R$ 44.400 (55,5%)
Despesas fixas R$ 36.000
Resultado R$ 8.400

Com essa margem, cada R$ 100 vendidos deixam R$ 55,50 para pagar a estrutura. O ponto de equilíbrio (o faturamento que paga tudo e não dá lucro nem prejuízo) é:

Ponto de equilíbrio = despesas fixas ÷ margem de contribuição %

R$ 36.000 ÷ 0,555 = R$ 64.865 por mês

Abaixo disso, a loja trabalha para pagar a conta. Acima, cada venda a mais vira lucro na proporção da margem. Daí duas alavancas claras: aumentar a margem (preço, CMV, canal com menos comissão) ou diminuir o fixo.

O que olhar todo mês

  1. Resultado operacional: positivo? Quanto do faturamento ele representa?
  2. CMV %: subiu? Veja as fichas e os preços dos insumos que mais pesam.
  3. Taxas e comissões %: quanto do faturamento ficou com cartões e marketplaces? Vale levar mais pedidos para o canal próprio?
  4. Mesmo mês do ano anterior: comida tem sazonalidade; comparar com o mês anterior pode enganar.
  5. Distância do ponto de equilíbrio: quantos dias do mês foram só para pagar a estrutura?

Onde o DomSoft entra

No plano Advanced, o DomSoft monta a DRE gerencial do mês e do ano por competência, a partir das vendas, das contas a pagar e a receber e dos centros de custo. O CMV entra congelado no momento de cada venda, as taxas e comissões aparecem descontadas, e a tela traz o comparativo com o ano anterior e o ponto de equilíbrio. Dá para exportar para Excel e PDF e levar para o contador.

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